Consciência e desenvolvimento corporal na educação basica

As escolas são contextos para a educação formal, a fim de que as novas gerações tenham um ensinamento cultural e acadêmico sobre conhecimentos gerais e específicos acerca da vida em sociedade.

 Ao pensar nos conteúdos escolares, certamente as famílias e os educadores logo pensam na sala de aula, nos materiais didáticos, nas aulas, e até mesmo nos valores e na socialização, não é mesmo? Com certeza essas são dimensões essenciais para o contexto escolar. Mas, e a consciência corporal? A psicomotricidade? A relação com o próprio corpo e o corpo do outro na escola? A autopercepção no mundo com um olhar para a saúde do corpo que é tão importante quanto à aprendizagem e à educação formal? Será que as nossas escolas estão atentas e preparadas a fim de educar para o cuidado de si, e para o desenvolvimento saudável da consciência corporal e postural? Este texto é sobre isso, e trará pressupostos importantes, dicas e questões que os educadores precisam estar atentos, dentro e fora da sala de aula, quando se relacionam com os alunos e quando orientam as famílias.

 A psicomotricidade está presente nos menores gestos, e em todas as atividades que desenvolve a motricidade da criança e do adolescente, visando ao conhecimento e ao domínio do seu próprio corpo. Os movimentos estão ligados à percepção, à resistência, à coordenação, à força, ao equilíbrio do corpo, aos sons, aos gestos, à tonicidade. Essas evoluções são essenciais tanto para a aprendizagem quanto para o desenvolvimento global e uniforme da criança.

A convivência, no ambiente escolar, com colegas da mesma faixa etária, vai ajudar os estudantes a ganharem a compreensão do espaço que o corpo ocupa, como se move, sua posição, a necessidade de empregar mais ou menos força, em determinado músculo, de coordenar movimentos e de se manter em equilíbrio. Nesse sentido, a educação física, como espaço destinado ao corpo, ganha importância especial, exigindo um planejamento específico, não apenas para recreação e a prática de esporte que são muito importantes, mas para a construção de um currículo que privilegie exercícios focados na percepção de si, do outro e do seu entorno.

Fonte da imagem: https://bityli.com/thXmq

Nessa perspectiva, as séries iniciais do ensino fundamental, como primeiro e segundo anos, as finais e as do início do ensino médio, são momentos estratégicos. Nas primeiras fases da educação escolar fundamental, dos 6 aos 8 anos, os conhecimentos do mundo são associados ao conhecimento do corpo, por isso devem ser trabalhados sempre de uma forma integrada. Esse conjunto de percepções desenvolvidas é fundamental para a autoconfiança, a integração social e o bom desempenho nas atividades escolares, especialmente, para a alfabetização, que exige coordenar estímulos motores finos para a escrita. Imaginar que as crianças conseguem todas essas noções de desenvolvimento sozinhas, por serem muito ativas, pode ser um grande erro. Já, para os adolescentes entre 13 e 15 anos, em plena puberdade, as mudanças corporais, o crescimento acentuado provocam a necessidade de um constante trabalhar o centro de equilíbrio do corpo, pois trata-se de uma fase em que pés, pernas, braços e mãos assumem estruturas da forma adulta, ocorrendo, frequentemente, mais quedas e esbarrões do que na fase anterior.

Uma consciência corporal deficitária, além dos prejuízos sociais e cognitivos, pode estar relacionada a dificuldades com a escrita, leitura, falta de equilíbrio, problemas de postura e, ainda, com a dificuldade de compreensão dos conceitos, voltados à direção espacial e aos movimentos desajeitados e descoordenados.

 Para que os estudantes ganhem domínio sobre seu corpo, existem diversos estímulos com objetivos distintos, porém, complementares, que podem ser provocados no formato de conteúdos escolares, a serem exercitados em casa, como brincadeiras, envolvendo a família. Confira alguns exemplos:

  1. Brincadeira com palmas: as crianças devem tentar seguir o ritmo e a quantidade de palmas que você bater. Pode também envolver mesa, latas.
  2. Balão no ar: O desafio é não deixar o balão cair no chão.
  3. Espelho: A criança vai imitar seus movimentos e posições. Aos poucos, pode-se aumentar o nível de complexidade.
  4. O mestre mandou: a criança deve prestar atenção nos comandos do mestre, que podem ser “por as mãos no rosto” “por a mão no joelho”, e outros movimentos, cuja complexidade pode variar conforme a idade dos participantes.

ANA RITA SCHAPHAUSER

Fisioterapeuta Escolar na Apae da Lapa e Apae de Porto Amazonas no Paraná;

Fisioterapeuta funcional, instrutora de pilates;

Especialista em Fisioterapia na saúde da mulher;

Especialista em Gerontologia.